Bancários de empresas públicas e privadas, além de servidores de estatais e empresas de economia mista terão nos próximos meses seus empregos em risco com os Planos de Demissão Voluntária (PDVs). Isso significa a longo prazo a extinção de postos de trabalho e a redução do setor público na economia brasileira.

Readequação de quadros tem sido o eufemismo empregado cotidianamente pelas empresas que pretendem diminuir os empregos. Os cortes tem justificativas variadas, desde a substituição pela inteligência artificial e robôs até a crise que já está prestes a virar recessão.

Carteira de trabalho é artigo em extinção.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Gigantes como Itaú, Banco do Brasil, Caixa e Furnas já estão divulgando as regras e benefícios dos planos, além das metas de redução de funcionários. Isso demonstra que em breve os PDVs estarão em vigor e muitos funcionários poderão ficar desempregados.

Em Furnas encontra-se a situação mais dramática – espera-se a demissão de 1.249 funcionários – o que representa mais de 30% de redução de quadro. É provável que o Plano de Demissão Consensual, como a empresa optou por chamar, esteja relacionado à privatização da Eletrobrás, estatal da qual Furnas é subsidiária.

Já nos bancos os números são menores, mas sugerem uma nova onda de queda no emprego bancário semelhante a dos anos de 1990. Foram demitidos 349 mil bancários em sete anos. Durante o período houve uma redução que chegou a quase 50% dos empregos em bancos.

Em janeiro de 1990, havia 812.667 bancários no Brasil. Já em 1997 eram 463.330.

Durante o início da década de 2000, o número de bancários voltou a subir sobretudo nos Bancos Públicos. O aquecimento da economia, o aumento da oferta de crédito e a gestão de benefícios sociais fez com que em 2012 houvessem mais de 512 mil empregados. Esse foi o auge do número de empregos bancários no século XXI no Brasil.

Evolução do números de empregos bancários de 2009 à 2017.
Crédito: Imagem/ Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal  – Fenae

O contingente de desempregados dos bancos e estatais se somará ao número expressivo que já há no Brasil, mais de 12 milhões. Apesar de terem a oportunidade de sair dos seus empregos em situação mais favorável do que a maior parte da população, a diminuição dos serviços prestados à sociedade preocupa.