Sem demoras, a Câmara começou a debater o 2º turno da Reforma da Previdência na última terça-feira, 6, e terminou na madrugada a votação. Foram nove votos a menos pela Reforma dessa vez; mesmo assim, a matéria passou com ampla maioria.

Enquanto luzes homeageavam os 13 anos da Lei Maria da Penha, o Congresso votava o segundo turno da Reforma da Previdência.
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Com o texto principal da Reforma da Previdência – prioridade zero do governo – aprovado na Câmara, o caminho para mais pautas-bombas está livre. A mudança de nove votos, sendo um deles uma abstenção do deputado federal Alexandre Frota (PSL/SP), partido do Presidente da República , não chegou a preocupar a base.

Conversamos com Júlia Lenzi, consultora em direito previdenciário de LBS-Advogados. “A pressa para votar em 2º turno o texto da Reforma da Previdência coincide com a urgência solicitada pelo governo Bolsonaro na liberação de mais R$ 3 bilhões em emendas parlamentares, com finalidade declarada de comprar o apoio que precisavam para a aprovação”, afirma a consultora.

A advogada ainda arremata falando sobre a estratégia do governo. “Deu certo: com 370 votos e uma boa margem, acredito que seja muito difícil que, na votação dos destaques hoje, alguma suavização importante seja acolhida. A destruição da previdência social segue a toque de caixa, “comprada” com dinheiro público”, declara.

Para a Reforma da Previdência começar sua tramitação pelo Senado Federal, ainda serão votados os destaques à matéria. A votação aos destaques ocorrerá provavelmente na próxima semana parlamentar, que costuma começar na terça-feira.

A Reforma da Previdência abre caminho para os próximos passos

A agenda econômica do governo deverá continuar como prioridade nesse semestre. O debate dobre a Reforma Tributária segue aquecido e sobre as privatizações também.

O governo vêm buscando o apoio da opinião pública para as privatizações há tempos. Apoiadores de Jair Bolsonaro que figuras de proa das redes sociais, pedem a privatização de estatais para ‘evitar corrupção’.

A privatização dos Correios vem tendo relevância nas redes sociais. Em monitoramento realizado pelo Reconta aí referente às últimas 24h, que compreendem das 8h do dia 06/08 às 8h do dia 07/08, foram recolhidas 5.982 menções à palavra “privatização”. Destas, 34,4% são a favor das privatizações e 20,49% são contra. Ficaram sem análise 36% das citações.

Mesmo precisando ser aprovada pelo Congresso Nacional, as privatizações vem sendo debatidas em todos os fóruns. Nem as ‘caneladas’ entre o Presidente e o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, derrubam as chances da privatização não entrar na pauta do dia da economia nacional.