O governo anunciou, junto à Caixa Econômica Federal, a liberação de R$ 500 para saque de contas ativas e inativas do FGTS. A medida, disseram, irá dar um boom na economia, que vem apresentando números muito aquém dos prometidos por Bolsonaro em sua campanha eleitoral.

Mas engana-se quem pensa que 500 é um número cabalístico. As dívidas de 36% dos brasileiros que estão inadimplentes vão até R$ 500, segundo a Serasa Experian, maior base da América Latina. Hoje, existem cerca de 63 milhões de brasileiros inadimplentes e esse número equivale a cerca de R$ 23 milhões.

Segundo a Serasa, São Paulo é o estado com o maior volume de inadimplentes com dívidas em atraso de até R$ 500, com pouco mais de 4,5 milhões, seguido pelo Rio de Janeiro (2,2 milhões).

Diante desses dados, é muito provável que o dinheiro resgatado das contas do FGTS não aqueça a economia, já que não gerará consumo. Esse dinheiro servirá para pagar dívidas – ou seja, vai para os bancos.

Para o economista Sergio Mendonça, a medida é emergencial e gerará um pequeno impacto na economia. Ele afirma que terá efeito positivo para o trabalhador que está endividado, pois usará o dinheiro para o pagamento de dívidas.