Segundo matéria de capa do Jornal O Estado de S. Paulo, a região Nordeste recebeu neste ano, até julho, somente R$ 89 milhões dos R$ 4 bilhões fechados pela instituição para operações de crédito. Em 2018, o montante era de R$1,3 bilhão – 21, 6% do total. Os números são do próprio banco e do sistema do Tesouro Nacional.

Para a região Nordeste, foram fechadas ao menos dez novos empréstimos, que juntos totalizam R$ 89 milhões, cerca de 2,2% do total. O banco autorizou novas operações no valor de R$ 4 bilhões para governadores e prefeitos de todo o País.

Bolsonaro chama nordestinos de “paraíbas”

Ainda de acordo com o Estadão, a ordem para não contratar operações para os estados e municípios do Nordeste partiu do presidente da instituição Pedro Guimarães. No dia 19 de julho, foi divulgado um vídeo em que o presidente Bolsonaro chama nordestinos de “paraíbas” e critica o governador do Maranhão Flávio Dino. Neste ponto não é preciso explicar: o presidente da Caixa está alinhado com as diretrizes do governo federal.

Guimarães diz que empréstimos são “sazonais”

Em entrevista à rádio CBN na manhã desta sexta, 1, Guimarães comentou a manchete do Estadão dizendo que as operações são sazonais, querendo dizer que acontecem de acordo com a necessidade de cada região.

Guimarães nega que Caixa libera menos empréstimos para o Nordeste
Foto: Evaristo Sa/AFP

“A Caixa é um banco matemático. Já conversei internamente e não existe direcionamento. Somos o banco de todos os brasileiros. Efetivamente, para que existam garantias do Tesouro Nacional, alguns estados e cidades têm “classificações” melhores ou piores. Então, a gente não faz empréstimo sem garantia. E tem essa questão sazonal sim […]. Se houvesse algo parecido com isso (que mostra o Estadão), teria começado o Caixa Mais Brasil pelo Sul e Sudeste, não do Norte e Nordeste, como comecei”, declarou.

Ex-presidente da Caixa acha situação “é criminosa”

Conversamos com Maria Fernanda Coelho, que presidiu a Caixa Econômica de 2006 a 2011, ela se disse chocada com a informação. “É muito grave o que está acontecendo. Em quase 30 anos de Caixa, nunca vi nada igual. E tem uma questão mais séria ainda: os investimentos em infraestrutura, notadamente em saneamento básico, têm relação direta com a saúde, especialmente das crianças”.

Para ela, entidades e sociedade devem se unir para que a Caixa se explique. “A gente sabe que quando não há água tratada é um terreno fértil para diversas doenças acontecerem. É uma decisão criminosa, visto que as pessoas podem morrer. Isso requer que o Ministério Público Federal acione a Caixa. É inconcebível”, declarou.