O primeiro dia do 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica seguiu na tarde desta quinta-feira com uma mesa focada no tema da defesa da Caixa e dos bancos públicos contra os desmontes conduzidos pelo atual governo.


Fizeram parte da discussão o economista Sergio Mendonça, a deputada Erika Kokay (PT-DF) e Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa.

Falácias sobre instituições públicas


Mendonça fez um resgate histórico para exemplificar a dificuldade que é a tarefa de defender bancos públicos. “Reagan, que presidiu os Estados Unidos de 1981 a 1989, dizia que o ‘Estado não é a solução, é o problema”. Margaret Tatcher, que foi Primeira-Ministra do Reino Unid, de 1979 a 1990 e ficou conhecida como “Dama de Ferro”, enfrentou o movimento sindical. Inspirado nisso, Fernando Henrique agiu fortemente contra os petroleiros, em 1995″, explicou.

Sérgio Mendonça fala sobre os bancos públicos no 35º CONECEF


“Portanto, há mais de 40 anos, somos bombardeados com uma visão hegemônica de pensamento econômico. E qualquer tipo de fundamentalismo é perigoso”, disse. “Nós perdemos o debate, infelizmente, porque sofremos esse massacre de pensamento hegemônico de que o Estado é ineficiente e mais corrupto do que o sistema privado. Só quem não conhece a história do setor privado pode pensar assim. Não há evidência de que o Estado ou o setor privado sejam mais ou menos corruptos. Os bancos públicos conhecem o pais inteiro, com destaque para o conhecimento da Caixa em habitação e do BB em crédito agrícola. Precisamos recontar essa história”, declarou.


Sergio explicou ainda que de 2014 pra cá estamos oito vezes mais pobres, a maior recessão dos últimos 120 anos. “E não vamos sair dela sem o Estado, as empresas públicas, os bancos públicos… A questão é mais do que econômica. A austeridade não traz resultado, isso se mostra desde 2016. Temos que voltar, no âmbito democrático, a ganhar essa discussão”, finalizou.

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“Fadinha da Confiança” não existe
A luta dos empregados da Caixa


Rita Serrano relembrou as lutas dos empregados da Caixa desde a primeira greve, em 1985 que tinha, dentre suas reivindicações, o direito à sindicalização. Isso incentivar o fortalecimento da luta dos presentes. “A nossa história é uma história da vitórias. Mas o avanço não cai do céu, temos que fazer nossa parte, e cabe a nós aqui gastar muito mais da nossa energia defendendo o banco, o Brasil e os nossos direitos”, disse.

Rita Serrano
Respeitem a nossa história!


A deputada Erika Kokay, liderança histórica das lutas dos empregados da Caixa, foi pelo mesmo caminho. “A privatização das empresas públicas não encontra respaldo na sociedade, é por isso que eles precisam destruí-las, deixá-las em pedaços. Precisamos denunciar”.


“É preciso que se faça uma discussão com quem se tornou parte do governo Bolsonaro, mas não faz parte de sua raiz. Precisamos convencer os funcionários da Caixa do que está sendo colocado contra a empresa neste momento”, explicou.
Para finalizar, bancários da Caixa reúnem-se com os do Banco do Brasil, que realizam seu encontro no espaço ao lado, para um grande ato em defesa dos bancos públicos.