Na manhã desta quinta-feira, 1, teve início o 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica (CONECEF), que reuniu 328 delegadas e delegados, em São Paulo. O Congresso tem como mote “Todos Contra o Retrocesso”, em defesa de todas as instituições públicas, mas principalmente dos bancos públicos.

Saúde dos empregados da Caixa

Na primeira parte da manhã, foi discutida, principalmente, a questão dos planos de saúde dos empregados da Caixa, o Saúde Caixa, e os ataques ao sistema de previdência complementar de entidades fechadas. Os debatedores foram os assessores da Fenae, Albucacis de Castro Pereira e Paulo Borges, além da vereadora Juliana Cardoso (PT-SP).

Vale a pena chamar atenção para a fala de Albucacis de Castro Pereira. Ele explica o modelo de contribuição adotado hoje, em que a Caixa arca com 70% dos custos e o trabalhador com os 30% restantes, está em risco. Assista:

SUS, maior sistema público de saúde do mundo


A importância do Sistema Único de Saúde (SUS) também foi abordada pela vereadora Juliana Cardoso. “Apesar de muito criticado e de todas as distorções que ainda tem, devido à sua dimensão, o SUS é invejado por países do primeiro mundo”, disse. Ela explica que graças à Constituição Federal do 1988, o SUS garante hoje universalidade e equidade.

Novas tecnologias atropelam serem humanos


A advogada Lais Lima Muylaert Carrano fez uma reflexão sobre o futuro do trabalho em geral e do trabalho bancário. Para ela, o ser humano vem sendo “atropelado” pelas novas tecnologias, que ditam cada vez mais a forma como o trabalho é exercido. “Nessa situação, cada vez mais rápida e ágil, cabe a nós não apenas evitar, mas também pensar o trabalho de forma a não sermos devorados pelas novas ferramentas e tecnologias”, explicou.

A guerra do pensamento

Por fim, a fala de Maria Fernanda Coelho, primeira presidenta mulher da Caixa Econômica e que ficou à frente da instituição de 2006 a 2011, foi sobre as Guerras Híbridas, que almejam o controle do pensamento e o total extermínio do contraditório.
“‘Descarte’, ‘fragilização’ e ‘ataque’ são adjetivos para a situação atual do trabalho no Brasil”, disse. “Vivemos uma guerra não-convencional, com ação de atores civis do nosso próprio país que passam a fazer o papel de invasor de qualquer espaço de comunidade em que você esteja”, explica.

Ela também explicou a perseguição aos espaços de formação de pensamento crítico, como escolas e universidades. “Por que Escola Sem Partido? Por que chamam a universidade de balbúrdia? Porque têm liberdade de discussão e pensamento, na contramão da visão hegemônica”.

Para terminar, Maria Fernanda disse que o papel de todos é resistir e construir espaços de comunicação horizontal. “Temos que incorporar novas formas de comunicação que dialoguem com diversos segmentos da sociedade e que traduzam valores”. Assista:

E o FGTS?

Por fim, os delegados aprovaram por unanimidade três resoluções referentes ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que tem como operadora exclusiva a Caixa Econômica. A primeira diz respeito à declaração do presidente Pedro Guimarães de que, para dar conta da demanda dos trabalhadores que vão sacar os fundos das contas do FGTS, os empregados vão trabalhar nos finais de semana pelos próximos seis meses. A resolução aprovada diz que os trabalhadores são contrários a essa medida.

A outra resolução diz respeito à própria liberação dos fundos do FGTS, chamada de “demagogia” do governo Bolsonaro. “Neste momento de grave crise econômica, os cidadãos brasileiros endividados utilizarão a liberação dos seus recursos no Fundo para pagar dívidas, comprometendo a garantia de seu futuro, e não para aquecer a economia”, diz a resolução.

A terceira resolução é por uma grande mobilização para dialogar com os trabalhadores das agências, para que expliquem à população a importância do “papel da Caixa Econômica como banco público e motor do desenvolvimento nacional”.

Delegados votam resoluções extraordinárias a respeito do FGTS no 35º CONECEF
foto: FENAE

Com informações da FENAE