Nos últimos meses, instituições financeiras públicas e privadas têm adotados medidas visando demissões em massa de seus funcionários. As justificativas variam de “corte de gastos” à modernização, mas o resultado é o mesmo: a precarização dos serviços prestados à população e a sobrecarga de trabalho dos empregados remanescentes.

Confusão na Caixa Econômica: direção anuncia PDV e volta atrás

Em maio, a direção da Caixa Econômica lançou um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com o objetivo de atingir 3500 empregados. O Programa foi anunciado em maio com a justificativa de economizar R$ 716 milhões ao ano.

Menos de 3 meses após o anúncio, a direção do banco tentou fazer com que cerca de dois mil funcionários, todos atendentes em agências, adiassem suas saídas, sob a alegação de necessidade de pessoal para atender o público que vai sacar os fundos disponíveis nas contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), mostrando o resultado óbvio de que a falta de funcionários prejudica o atendimento à população.

Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, voltar atrás da decisão de implementar o PDV é um desrespeito com os trabalhadores da Caixa. “Tentar impedir os trabalhadores que aderiram ao PDV de sair, agora que eles já têm seus planos pessoais é inadmissível. É mais um desrespeito da direção da Caixa com os trabalhadores. O banco tem de manter o PDV e ainda dar melhores condições de atendimento à população”, afirma.

Dionisio lembra, também, que a falta de empregados na Caixa é um problema grave e que trará consequências negativas na liberação do FGTS. Em 2014, a Caixa contava com 101 mil trabalhadores e um déficit de 2 mil. Agora, tem apenas 84 mil – 17 mil a menos.

Banco do Brasil e a “reestruturação”

No último dia 29 de julho, a direção do Banco do Brasil anunciou uma nova “reestruturação” na empresa, que resultará no corte de 2.300 vagas entre agências e setores administrativos. A medida terá como resultado o fechamento de 333 agências, que passarão a ser apenas postos de atendimento.

As novas medidas tomadas pela direção do BB significam a desidratação do banco público, que tem função social primordial para o Brasil, já que chega aos rincões do país e oferece crédito rural e mais barato, principalmente, para a agricultura familiar.

Segundo matéria do Valor Econômico, o banco já vinha diminuindo seu quadro de funcionários. Dados do BB mostram uma queda de quase 1% nos quadros neste ano, até o último dia 30 de julho, quando o total de funcionários era de 96.048. Em relação ao plano anunciado nesta semana, a Contraf calcula que a redução pode chegar a 2,3 mil pessoas.

Itaú demite 6,9 mil

O banco Itaú, um dos principais bancos privados do País, anunciou no último dia 29 de julho um Programa de Demissão Voluntária (PDV) que atingirá cerca de 6,9 mil funcionários. Como justificativa, o banco alega que está ampliando suas iniciativas digitais, que contribuem para menor necessidade de mão-de-obra humana. Segundo o presidente da instituição, Candido Bracher, o Itaú já fechou mais de 200 agências físicas no segundo semestre de 2018.

Bancos privados lucram muito no primeiro semestre

De acordo com reportagem da Época Negócios, os três grandes bancos privados do país lucraram R$ 32.2 bilhões no primeiro semestre de 2019, um crescimento de 17,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. O Bradesco também está fechando agências. Entre janeiro e junho deste ano, foram fechadas 36.

Bancários se unem contra desmontes de bancos públicos

Neste fim de semana, Caixa e Banco do Brasil realizam seus congressos de bancários na cidade de São Paulo. O 35º CONECEF, da Caixa Econômica, tem como lema “Todos Contra o Retrocesso” e discute, além das questões restritas ao universo dos bancários, a conjuntura política atual e medidas para resistir às tentativas de desmonte dos bancos públicos. O 30º Congresso Nacional dos Funcionários do BB acontece “Em defesa do Banco do Brasil e dos seus funcionários na era digital e da privatização”.