29 de Julho é o “Dia da Sobrecarga” em 2019. Ou seja, a partir de hoje a humanidade esgotou todos os recursos naturais disponíveis para esse ano.

Terra, água, ar limpo e outras variáveis das quais depende a vida nesse planeta são recusos finitos. Porém, a humanidade depende do desenvolvimento para seguir existindo da forma que conhecemos. Saber como equacionar essa conta é a reflexão que propõe o Dia da Sobrecarga.

O amplo desmatamento contribui significativamente para o Dia da Sobrecarga.
Desmatamento em São Felix de Balsas no MATOPIBA (Maranhão – Tocantins – Piauí – Bahia)

Dia da Sobrecarga é alerta para humanidade

O Dia da Sobrecarga é calculado pela organização global Footprint Network desde 1986. Ele é um alerta para que a civilização repense seu modo de produção e seus padrões de consumo. Segundo a organização, a emissão de dióxido de carbono na atmosfera é o grande vilão do planeta e diminui o ritmo da queima de combustíveis fósseis a chave para a mudança.

A cada ano o Dia da Sobrecarga tem chegado antes. No ano de 1993 a conta da humanidade começou a ficar negativa no dia 21 de outubro, ou seja, a humanidade usou menos dias no cheque especial e, por isso, pagou um juros menor em relação a hoje.

Desenvolvimento pode ser sustentável?

A discussão sobre a possibilidade de aliar desenvolvimento para a humanidade e preservação ambiental até agora não se mostrou possível. Por mais que o número de tragédias climáticas tenha crescido e a disponibilidade de água doce tenha diminuído, a Ciência ainda não conseguiu comover governos e impor uma agenda mais racional para os governos e atividades econômicas.

Segundo a ONG, existem cinco áreas chave para colocar a cada ano mais pra frente o débito da humanidade com o mundo: cidades, energia, alimentos, população e planeta.

A humanidade pertence ao mundo ou o mundo pertence à humanidade?

As mudanças climáticas geram desastres em escalas cada vez maiores. Os maiores atingidos são os mais vulneráveis.
As mudanças climáticas geram desastres em escalas cada vez maiores. Os maiores atingidos são os mais vulneráveis.

Esse é um dilema cuja resposta tanto faz. O ritmo de utilização dos recursos naturais de uma forma cada vez mais intensa ano a ano é um prejuízo que será socializado por todos –primeiro pelos mais pobres, claro – porém atingirá a toda a humanidade.

Homens e mulheres utilizam hoje aos recursos ecológicos 1,75 vezes mais rápido do que a Terra leva para renová-los. Isso ocorre de maneira desigual e provoca fome em muitos, enquanto alguns desperdiçam. Para se ter uma ideia, se toda a humanidade vivesse como vivem os habitantes dos EUA, seriam necessários recursos de cinco planetas como os nossos anualmente. Já se cada ser humano consumisse como um indiano, seriam necessários recursos referentes a apenas 0,7 da Terra.

Leia mais sobre o tema: http://www.overshootday.org/newsroom/press-release-july-2019-english/