O anúncio feito nesta quarta, 24, da liberação de valores de até R$ 500 de contas ativas e inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para saque preocupa os empregados da Caixa Econômica e os sindicatos.

Caixa não orientou funcionários

Em grupos fechados de WhatsApp, funcionários se mostram apreensivos com a falta de informação por parte da administração da Caixa. Estima-se que a medida atinja 100 milhões de contas do Fundo e, um dia após o anúncio, os funcionários ainda não têm claro como será o processo para poder orientar a população adequadamente.

Soma-se a isso o fato de que o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, declarou durante o anúncio que os funcionários da instituição cumprirão expediente aos finais de semana durante seis meses para dar conta da demanda.

Empregados aguardam recebimento de horas extras desde 2017

Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, relata que os empregados do banco esperam até hoje o pagamento das horas extras trabalhadas quando o governo de Michel Temer liberou valores das contas inativas do FGTS para saque, em 2017.

“Eles trabalharam aos sábados, durante dois meses, se empenharam e fizeram pagamentos em agências lotadas, pois o anúncio foi feito logo após o primeiro PDVE (Programa de Demissão Voluntária Extraordinário), o que piorou a situação com a diminuição do quadro de empregados”, diz.

Agora, a história poderá se repetir. A Caixa lançou, em maio, um novo Programa de Demissão Vonluntária (PDV) para atingir até 3.500 empregados. Dois meses depois, participará dessa mega operação anunciada pelo governo, já que é operária dos recursos do FGTS, que somam mais de R$ 500 bilhões em ativos.

Para Dionísio, essa é uma “artimanha desse governo para desmonte da Caixa, para jogar a população contra o banco público. Eles vão fazer um movimento de reestruturação do banco, com desligamento de 3.500 funcionários, e abrir o banco para 100 milhões de pessoas fazerem saque, com trabalho extenuante dos empregados aos sábados e domingos”, explica.

No entanto, hoje, após o anúncio da liberação de recursos do FGTS, a Caixa suspendeu o PDV de 2019, segundo Dionísio. Até o fechamento desta matéria, não havia nota oficial sobre a suspensão.

Sobrecarga de trabalho

Jair Ferreira, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (FENAE), reforça o que ele chama de “perplexidade” dos funcionários da Caixa diante da falta de informações em meio a uma operação tão grande. “As regras não estão claras. Da forma como estão anunciando, as pessoas estão sem saber como sacar esse dinheiro. E até aqui não tem demonstração da empresa de que isso está preparado, de que existe planejamento”, diz.

Ele também reafirma que essa é uma forma de “desgastar a imagem da empresa”, já que não são oferecidos instrumentos para que os funcionários atendam a população com agilidade e forneçam informações corretas. Ele também ressalta o desgaste dos funcionários diante do volume alto de trabalho. “Eles já têm sobrecarga porque já tem menos gente pra atender a população. Então, a mão-de-obra fica mais escassa ainda, aí vão fazer o discurso de que a Caixa não tem como atender a população”, finaliza.


A Caixa anunciou que vai liberar o cronograma para saque de valores até R$ 500 no dia 5 de agosto.