Desde o início do governo Bolsonaro mais de R$ 16 bilhões em ativos já foram vendidos pelos Bancos Públicos. As maiores perdas foram para a Caixa e Banco do Brasil, que desenvolvem importantes políticas de desenvolvimento social.

A orientação da equipe econômica do governo é clara: depois da Reforma da Previdência, as privatizações são a bola da vez. Caixa e Banco do Brasil, em menor proporção, puxaram a fila da diminuição do estado se desfazendo de R$ 16 bilhões em ativos, cujo rendimento é fundamental para seguir gerindo suas políticas sociais.

R$ 16 bilhões é o que já se lucrou até agora, mesmo assim os Bancos Públicos pretendem vender mais.

Privatização do Crédito: salve-se quem puder

Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento, já deixou clara a sua posição de que o governo não deve competir com as instituições financeiras privadas no mercado.

O Brasil é um dos países em que bancos privados auferem maiores lucros em todo o mundo. Além dos juros altíssimos no oferecimento de crédito, há também o fato de ter o segundo maior spread bancário* do mundo segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Faculdade Getúlio Vargas, Ibre/FGV, além de cobrar taxas de manutenção dos clientes e estar em processo de transformação tecnológica, resultando em grandes demissões no país.

Um dos reguladores do mercado de juros no Brasil é a oferta deles por meio dos Bancos Públicos. Além disso, bancos como Caixa e Banco do Brasil oferecem crédito a pessoas e regiões que não são tão rentáveis ao mercado. Isso estimula a concorrência e puxa a taxa de juros para baixo, fazendo com que a tomada de crédito seja possível a uma maior parcela da população.

R$ 16 bilhões já foram vendidos, mas ainda tem mais

Mais vendas são previstas pela Caixa ainda esse ano. O presidente da instituição, Pedro Guimarães, ainda pretende vender ativos da Caixa Seguradora, cartões, lotéricas e gestão de recursos na Bolsa e as participações detidas pelo FI-FGTS. Há rumores de que a Caixa venderá também sua participação no Banco do Brasil e na Alupar.

No Banco do Brasil a disposição não é diferente. Rubem Novaes, presidente do banco, já afirmou publicamente que o BB estaria melhor se fosse privatizado. Em consonância com seu pensamento, já vendeu a Neoenergia, saiu do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), encerrou as atividades da BBTur e vendeu também a Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE). Prevê-se ainda a venda da Ativos, da sua parte do banco Votorantim, da BB Americas e do Patagônia.

O mercado aguarda ainda a concretização das promessas que o novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, fez durante sua posse: um BNDES focado em menos em ser um banco e mais em desenvolvimento. Mesmo que não haja a mínima coerência na afirmação.

*Spread Bancário é a diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos.(Definição de  José Luís da Costa Oreiro; Luiz Fernando de Paula; Guilherme Jonas Costa da Silva; Fábio Hideki Ono)