Depois de anunciar com alarde a liberação do valor contido em contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para saque, a equipe econômica do governo Bolsonaro tomou um puxão de orelha do setor da construção civil e teve que colocar o pé no freio e anunciar que os saques provavelmente ficarão limitados a 500 reais. As informações foram transmitidas pelo secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, em coletiva nesta segunda-feira, 22.

FGTS financia moradia popular e saneamento básico

Pra quem não sabe, uma das principais funções dos recursos de FGTS é o financiamento para construção de moradias populares e o investimento em saneamento básico, por exemplo. Tudo isso estará em risco se o caixa do fundo foi esvaziado, como anuncia o governo.

Medida não deve impulsionar a economia

A equipe de Paulo Guedes prometeu injetar por volta de R$ 30 bilhões na economia quando o dinheiro for liberado. Acontece que a maior parte dos trabalhadores, em um cenário de crise como o nosso, usará o recurso para pagamento de dívidas, ou seja, a medida não estimulará o consumo. Isso fará com que os recursos do fundo, que hoje cumpre um papel relevante nas políticas de moradia, vá para as mãos dos bancos privados e do mercado financeiro.

Diretoria da Caixa apoia desidratação do FGTS

O discurso do governo é endossado pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que declarou no último fim de semana em visita ao estado de Santa Catarina que ” a liberação do FGTS dará uma acelerada no crescimento econômico”. Como já explicamos, é ilusória a percepção de que isso acontecerá e é preocupante que o presidente da instituição defenda a desidratação do fundo que esta administra.

Fim da multa por decisão sem justa causa

O governo também discute o fim da multa de 40% ao empregador por demissão sem justa causa, uma conquista histórica dos trabalhadores brasileiros. A medida é polêmica e fez com que Bolsonaro voltasse atrás e dissesse que não tem competência para decidir sobre isso, já que é o Congresso Nacional que deve fazê-lo. Anteriormente, o presidente declarou que a multa prejudicava as empresas do País. “Não falei que ia acabar com a multa, até porque não tenho poder para isso. Tem que passar pelo Parlamento”, disse Bolsonaro.

Todas as medidas e regras em relação à liberação dos saques devem ser anunciadas nesta quarta-feira, 24, por Paulo Guedes, em coletiva no Ministério da Economia.

Veja o que Sérgio Takemoto, secretário de Finanças da CONTRAF-CUT, tem a dizer sobre isso: