A Caixa Econômica deve anunciar nas próximas semanas, após autorização do Banco Central, uma redução de juros para financiamentos imobiliários. Isso será possível com a mudança do índice que corrige os contratos de financiamento habitacional. Hoje, é usada a TR (Taxa Referencial); seria adotado então a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Clientes da Caixa com boa avaliação de crédito pagarão juros menores. Caso aprovada pelo Bacen, a nova regra só valerá para novos contratos. Com juros mais baixos, o banco pretende estimular novos empréstimos e emitir títulos imobiliários no mercado com a receita desses pagamentos; uma ação semelhante à que causou o estouro da bolha imobiliária em 2008, nos Estados Unidos.

Essa medida é mais uma tentativa da equipe econômica de Bolsonaro de melhorar os resultados pouco expressivos que a economia do País tem apresentado.

Para o economista Sergio Mendonça, a mudança pode aumentar os índices de inadimplência. “Resta saber se, na prática, a Caixa de fato cobrará juros de 2 ou 3%. Muitas vezes o discurso é maravilhoso, mas a realidade é outra. E existirá um risco de que a inflação suba no futuro e a taxa variável suba junto com uma inflação mais alta. Aí o risco de inadimplência aumentará, pois os tomadores de empréstimos terão maior dificuldade de saldar esses empréstimos”, explica.