Sob a desculpa de ‘despedalar’ o BNDES, o novo presidente da instituição, Gustavo Montezano, pretende devolver ao tesouro nacional R$100 bi. Para tanto, aumentará os juros do crédito subsidiado, diminuindo assim o fomento ao desenvolvimento do país – principal papel do banco.

Gustavo Montezano, o novo presidente do BNDES.

Gustavo Montezano, o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é um aliado de primeira hora do ministro da Economia Paulo Guedes. Tanto, que em seus primeiros dias presidindo a instituição, já colocou como prioridade a devolução de recursos para a União.

Resta saber se o BNDES seguirá tendo como objetivo primordial desenvolver o Brasil.

Além disso, Montezano é um nome bastante afeito a Salim Mattar, o secretário de Desestatização e Desinvestimento do governo Bolsonaro. Após a demissão de Joaquim Levy da presidência do BNDES por desacordo com Mattar exatamente sobre as tais ‘pedaladas’, a subida de Montezano ao cargo mostra um acordo total entre ambos.

Diretoria controversa

O novo diretor de Operações do BNDES, Ricardo Wiering de Barros, foi empossado hoje, foi advertido em 2016 pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em um caso de espionagem.

A repreensão deu-se por não ter “atuado de forma diligente” na apuração de possíveis irregularidades na gestão da Brasil TELECOM, empresa da qual era conselheiro à época.

Ricardo Wiering de Barros também é bastante próximo à Salim Mattar, com quem atuou na própria secretaria que Salim ocupa hoje. Sua proximidade a Montezano remonta ao Banco Oportunity, fundado por Daniel Dantas, onde ambos trabalharam.

BNDES colocará ações em promoção?

Gustavo Montezano não pretende parar só na ‘despedalada’: quer ainda vender R$ 100 bi em participações de outras companhias que o banco possui. Segundo mesmo, o objetivo é ‘redimensionar’ o tamanho do BNDES.

Diminuir o capital e a importância do banco público responsável por acelerar a economia pode ser uma aposta muito errada. Em um momento de crise e estagnação como o atual, o BNDES poderia com sua capacidade e expertise ser uma ferramenta importante para direcionar investimentos para setores-chave, aumentando a geração de emprego e renda.

Acompanhe no vídeo abaixo o que é a tal ‘despedalada’ e como esse termo é um factóide para desestruturar os Bancos Públicos brasileiros.