R$450 bilhões é o que o governo pode arrecadar com a venda das estatais. Tem gente que não está feliz com isso.
Paulo Guedes

Segundo levantamento, R$450 bi é o que o governo vai lucrar caso venda 132 das 134 participações acionárias e empresas estatais do Brasil. Mais do que valor monetário, essas empresas garantem serviços e cidadania a quem não pode pagar, além de serem lucrativas e estratégicas.

Os Bancos Públicos por exemplo, atuam não só em cidades que os bancos privados não têm interesse, mas também oferecem crédito aos mais pobres. Além disso, atuam diretamente na regulação da economia, seja puxando para baixo as taxas de juros, seja ofertando crédito e cultura.

A Casa da Moeda, por sua vez, é um dos maiores parques gráficos da América do Sul: moderna, com profissionais capacitados e possibilidade de produzir não só moedas estrangeiras, mas também de produzir selos holográficos e outras tecnologias.

Os exemplos acima são apenas parte do papel fundamental que as estatais têm para o desenvolvimento do Brasil e dos brasileiros. No levantamento realizado pelo Estadão foram computados no cálculo privatizações, desinvestimentos, abertura de capitais, venda de participações minoritárias de estatais e suas subsidiárias e participações de investimento do BNDES.

Salve-se quem puder

Petróleo, gás, bancos e toda a série de produtos e serviços produzidos e regulados pelo estado estão na conta. Os ‘filés’ das privatizações renderiam juntos R$ 258 bi e seriam respectivamente, as participações do BNDES em empresas de capital aberto e fechado, que renderiam R$ 143,7 bi e as concessões de óleo e gás, que renderiam R$ 114,3 bi.

Apesar do alto preço de mercado, as empresas citadas valem ainda mais produzindo para o estado. O petróleo do Pré-Sal pode inclusive transformar a educação publica e a saúde do país.

R$450 bi de motivos para não privatizar

O governo, representado pelo ministro da Economia Paulo Guedes, ainda acha que o levantamento, que chegou a valores similares aos inferidos pelo Bradesco BBI, a parte de investimentos do banco, não reflete a realidade.

Paulo Guedes esperava uma cifra superior a um trilhão de reais. O número parece cabalístico, já que é a mesma cifra que o economista pretendia ‘economizar’ com a Reforma da Previdência. Resta agora saber se com a realidade dos R$450 bi batendo à porta o governo perceberá que as estatais são do povo e não devem ser dilapidadas.