Doutor por notório saber pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), o professor Chico de Oliveira, como era conhecido, foi atuante na defesa do desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Recifense, nascido em 1933, Chico de Oliveira estudou Sociologia na Universidade do Recife, atualmente Universidade Federal de Pernambuco. Durante sua graduação, foi bancário do Banco do Nordeste.

Em artigo, Chico relembra o papel importante do BNB para sua formação. “[O] Banco do Nordeste fazia uns cursos de treinamento muito rápidos. […] [Participava] gente formada em Direito, gente formada, como eu, em Ciências Sociais. O banco abria concurso e convidava essas pessoas. […] você escrevia um texto de vinte páginas dizendo por que queria trabalhar para o banco, era um pouco a patriotada nordestina, que queria salvar o Nordeste e tal. […] Eu fiz um curso de quatro meses intensivo, na Bahia, que foi, na verdade, uma revelação. Meu pobre curso de Ciências Sociais ficou no chinelo diante desse curso do Banco do Nordeste.”, relembrou.

Após sua trajetória no Banco do Nordeste, Chico de Oliveira participou de curso da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). Lá conheceu o economista Celso Furtado, seu companheiro de estudos econômicos e de elaboração de teorias que marcariam profundamente o Brasil.

Chico obteve destaque em seu trabalho junto ao economista na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). A autarquia foi criada para diminuir a crescente desigualdade regional gerada durante a industrialização brasileira. Durante o Golpe Civil-Militar de 196, foi preso político durante dois meses.

Em suas palavras: “Os perseguidos políticos em Recife eram carimbados, eles viviam, como se dizia, com a mala pronta, a escova de dente e o pijama, quando tinham. Não quis ficar nessa situação, resolvi vir-me embora. Aproveitei ainda que, realmente, naquele momento e durante muito tempo ainda, a ditadura era muito desorganizada […]. Eu não tinha muita coisa a preservar. Não quero passar a imagem de herói, eu não sofri tortura nenhuma, não fui herói; teve muita gente que enfrentou coisas muito piores do que eu, mas resolvi que não era o caso, não tinha porque ficar esperando um inquérito policial militar, não tinha porque me apegar a um cargo só porque era um posto vitalício. Já tinha chegado à conclusão de que o golpe era uma coisa pra valer, não era coisa de amadores e que uma certa fase, um certo tipo de engajamento, tinha acabado. “

Já radicado em São Paulo, trabalhou no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, CEBRAP, junto a Fernando Henrique Cardoso e outros intelectuais ligados à Universidade de São Paulo.

Foi fundador do Partido dos Trabalhadores em 1981 e fez parte da primeira executiva do partido. Após discordâncias sobre a condução da política econômicas, filou-se ao PSOL.

Foi professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo.

A causa da morte não foi divulgada. O velório acontecerá no salão nobre do prédio administrativo da FFLCH, Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo. O horário será comunicado a partir das 17h.

Fontes: Uma trajetória dissonante: Francisco de Oliveira, a SUDENE e o CEBRAP, Quarenta anos de uma elegia: Francisco de Oliveira e o Nordeste