Inaugurada em 2010, a agência barco da Caixa levou cidadania, atendimento médico, odontológico e dignidade para moradores das regiões mais afastadas dos grandes centros no Norte do Brasil. Pelos rios do Amazonas a inclusão chegou mais longe.

A primeira agência barco do Brasil foi nomeada Chico Mendes em homenagem ao seringueiro.

Os funcionários da Caixa contam que haviam fila para trabalhar na Chico Mendes, a primeira agência-barco do banco lançada em 2010. O projeto piloto começou sua operação no trecho Manaus-Coari, por 350 km do Rio Solimões. Atendia 11 municípios e cerca de 316.000 habitantes.

Como nascem os direitos

Imagem de um porto em que a agência barco atraca.

A criação da agência-barco foi uma resposta da Caixa ao Decreto Presidencial 6.040/2007, que estabeleceu uma Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Foi a primeira vez que o governo brasileiro reconheceu formalmente a existência formal de todas as chamadas populações “tradicionais”. De acordo com o decreto, eles são:

“grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas geradas e transmitidas pela tradição.”

(Decreto n. 6.040, de 7 de Fevereiro de 2007. Art. 3, Inciso II)

A inclusão bancária dos ribeirinhos, indígenas, seringueiros e demais grupos que vivem às margens dos rios contribuiu para a efetivação do decreto. Houve a promoção do desenvolvimento socioeconômico para os moradores com o atendimento voltado às necessidades deles. 

A terceira margem do rio

A inclusão dos povos tradicionais reforçou o papel social da Caixa como agente de políticas públicas de Estado. O banco se moldou às necessidades geográficas da região para buscar formas de diminuir as desigualdades regionais.

Desde a implementação do programa houve uma mudança na paisagem da região. Pessoas que precisavam se deslocar por horas de barco para comprar gêneros básicos, pagar suas contas e receber benefícios, puderam fazer isso sem sair de suas localidades.

Isso foi fundamental para a distribuição de renda e o fomento do comércio na região. Houve geração de emprego e renda sem concentração nos centros, possibilitando o desenvolvimento das pequenas cidades.

O outro lado do rio

No programa-piloto, os serviços oferecidos foram:

  • Cadastramento CPF;
  • Atendimento Benefício Social;
  • Atendimento PIS;
  • Atendimento FGTS;
  • Atendimento Seguro Desemprego;
  • Abertura de contas poupança, corrente, salário e pessoa jurídica;
  • Construcard;
  • Micro Crédito Produtivo Orientado;
  • Habitação de interesse social;
  • Consignação.

Porém, com o desenvolvimento e o sucesso da agência-barco muitos parceiros se interessaram pela possibilidade. O Ministério da Saúde utilizou a estrutura para implantar consultórios médicos e dentários para o atendimento da população. O Ministério da Cultura levou uma biblioteca e “kits-biblioteca” para distribuição à população, além de projetos de cinema e oficinas educacionais.

Atualmente, segundo o site da Caixa, o acesso à justiça e ao direito das mulheres também está presente nas duas agências-barco.  O site cita o programa Mulher, Viver sem Violência em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres.