Em evento no Comitê Paralímpico Brasileiro realizado no começo do mês, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, anunciou ao lado do presidente Jair Bolsonaro a contratação de duas mil pessoas com deficiência aprovadas no Concurso de 2014. Ontem, a Caixa começou a convocação de 800 dos aprovados nas vagas para Pessoas Com Deficiência (PCD).

A Caixa não cumpre a cota social para PCDs

O que a diretoria da instituição não esclareceu é que o gesto não é fruto de bondade, muito menos para evidenciar o “DNA social da Caixa”, que a diretoria atual diz construir, e se deu porque a instituição não cumpre a lei 8.213/91, que diz que empresas com mais de mil empregados tenham 5% do seu corpo de funcionários formado por pessoas com deficiência ou reabilitados. Hoje, o índice de trabalhadores com deficiência em atuação no banco é de apenas 1,42% – menos de um terço do que é exigido pela lei, o que significa um déficit de mais 3.500 pessoas para o cumprimento da cota.


Os Embargos

A Caixa também não anunciou que entrou com embargos, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), contra a decisão judicial. Essas ações devem ser julgadas no próximo dia 10. Ao cumprir a decisão judicial antes do trânsito em julgado, a direção da Caixa já desrespeita o edital, que estabelece que o primeiro candidato convocado deve ser PCD seguido de 19 convocados da ampla concorrência.


O que pensam os aprovados

Conversamos com Natalia Dias de Oliveira, que é profissional autônoma em Cabo Frio – RJ e uma das aprovadas no concurso de 2014. Ela é administradora de seis grupos no WhatsApp com 257 aprovados cada e um grupo no Facebook com 11 mil pessoas aprovadas no concurso da Caixa.

“A caixa está agindo de um jeito que a gente não consegue entender, porque nos embargos ela fala que vai desrespeitar o edital se for convocado como a justiça está mandando. Mas ainda não teve decisão, o processo ainda não tramitou em julgado, e ela está convocando de forma administrativa já desrespeitando o edital, sem esperar o posicionamento final da justiça. Pra isso, cabe mandato de segurança, e os candidatos já tomam medidas nesse sentido. Mas a Caixa disse que vai correr o risco”, diz.

Os aprovados esclarecem que não são contra a convocação das pessoas com deficiência, mas querem que a Caixa cumpra o que estabelece o edital e chame as pessoas da ampla concorrência, que esperam há cinco anos para poder trabalhar.