Levantamento sobre a Saúde do Trabalhador da Caixa realizado pela FENAE mostra que o stress é tendência observada em todas as instituições financeiras.

Imagem de homem olhando pela janela em dia chuvoso. Stress assola trabalhadores.

Os dados são alarmantes: entre 2009 e 2017, a quantidade de trabalhadores de bancos afastados por transtornos mentais cresceu 61,5%. Coincidência ou não, durante o período analisado houve diminuição do número de empregados dos bancos, sem o decréscimo do número de agências, serviços ou número de clientes. 

Segundo empregado do Banco do Brasil que prefere manter-se anônimo, não são apenas as metas que sobrecarregam os trabalhadores, mas também o stress: “O adoecimento é cotidiano, há metas mensais. A principal questão é como as chefias lidam com elas. Há inúmeros relatos de assédio e perseguição durante o ano inteiro, não só semestralmente quando os benefícios, como a Participação nos Lucros, são definidos”, afirma.

Tendinites, Bursites e as outras “ites”

Tradicionalmente o adoecimento dos bancários tinha muito mais a ver com a mecânica do trabalho realizado do que com questões mentais. É comum que empregados que trabalham nos caixas, diretamente envolvidos com autenticação de documentos, recebimentos e pagamentos desenvolvessem esse tipo de lesão por esforço repetitivo. 

Esse tipo de doença ocupacional aumentou 13% durante o período analisado pelos dados do INSS – uma imensa soma, porém, tímida perto dos 61,5% de aumento das doenças mentais.

Novos tipos de sobrecarga, stress e novas doenças

Meme: "Se você encontrar um bancário por aí, principalmente no final do semestre... Dê um abraço, faça um carinho e diga que vai ficar tudo bem"

A Síndrome de Burnout foi incluída na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), ocorrida em 2018. A síndrome foi classificada como um fenômeno ocupacional, ou seja, decorrente do trabalho.

Essa foi a síndrome que afastou o empregado do Banco do Brasil de suas funções por seis meses. Segundo relata, desenvolveu palpitações só de passar perto da agência em que trabalhava: “Eu preferia estar em um hospital tomando soro do que ir trabalhar. Chegava lá e tinha palpitações e tremores, me sentia fisicamente mal e não conseguia ficar”, relata.

Na Caixa, mais de 30% dos empregados relatou ter apresentado problemas de saúde decorrentes do trabalho. Os problemas mais frequentes são estresse, problemas de coluna, depressão, hipertensão arterial e Lesão por Esforço Repetitivo. Desse percentual, 44,6% apontam que seus problemas são decorrentes do estresse.  


Chama a atenção o número de empregados que não se afasta das funções enquanto se trata. Muitas doenças são debilitantes e a recusa no afastamento pode aumentar a demora pela recuperação. Isso é explicado pelo baixo número do fornecimento de Comunicação de Acidente de Trabalho para licenças causadas por problemas mentais pela instituição, apenas 13,6%.

O lucro não pode estar acima de tudo

A saúde física e mental dos trabalhadores deve ser respeitada. A sobrecarga constante afeta a cultura de trabalho dos bancos e transforma em algo normal rotinas estressantes que podem levar à situações limite, possíveis de serem evitadas.