Trabalhar na Caixa Econômica implica em uma série de vantagens que vão muito além da estabilidade. Por isso, muitas pessoas sonham com esse emprego, o que fez com que a Caixa realizasse, em 2014, o maior concurso público do Brasil. 30 mil pessoas foram aprovadas e esperam até hoje por sua convocação, já que menos de 10% delas foram chamadas.

Plano de Cargos e Salários

Mas nem tudo são flores. O Plano de Cargos e Salários dos funcionários contempla uma série de benefícios que são conquistas dos empregados da Caixa. Nos anos 90, com o avanço de um projeto neoliberal para o país, os funcionários da instituição ficaram oito anos sem contar com novas contratações e 10 anos sem ter aumento de salário acima da inflação. A direção da Caixa, na época, também tirou todos os instrumentos de avanço na carreira, um processo que começa a se repetir com a atual gestão.

A partir dos anos 2000, os pleitos dos funcionários da Caixa vinham no sentido de corrigir essas e outras distorções referentes a questões isonômicas, como a unificação dos planos de saúde para funcionários antigos e novos e o parcelamento de férias disponíveis a todos os empregados.

Terror institucional

Mas como fica o Plano de Cargos e Salários frente aos desmontes conduzidos pela atual diretoria da Caixa? Conversamos com Dionísio Reis, Dirigente Sindical e Coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa.

Para ele, existe um plano de enfraquecimento da instituição para facilitar sua privatização. “Hoje, com essa desestruturação da empresa, os mais velhos estão sendo empurrados pra fora da Caixa, assim como sua expertise. Os mais jovens ficam e buscam funções unicamente para ganhar mais, não por vontade. Isso faz com que, além de se afastar o conhecimento de funções estratégicas, também se atrai pela via financeira única e exclusivamente, o que acaba não sendo muito saudável”, declarou.

Dionísio também denuncia o que chama de “terror institucional” que, segundo ele, se tornou o modus operandi da gestão da instituição, o “método Caixa”. Ele explica que existe uma ameaça constante de descomissionamento dos funcionários, o que acarreta em perdas salariais. “A gestão não lidera, trabalha com o medo. O gerente hoje na Caixa não é gerente, está gerente. Ocorre um terror institucional criminoso. Tem um instrumento institucionalizado desde o ano passado, chamado Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), em que a diretoria considera o resultado da pessoa incipiente e ela é descomissionada por esse resultado. Os critérios são totalmente subjetivos”.

Impacto na saúde

Isso tudo, é claro, tem impacto negativo na saúde dos trabalhadores da Caixa. Um estudo feito pela Fenae no ano passado mostra que o motivo de insatisfação mais citado pelos empregados é justamente a falta de funcionários, seguido pela pressão no trabalho. Também são citados sobrecarga de trabalho, estresse e metas abusivas. Um em cada três funcionários declara já ter apresentado algum problema de saúde em decorrência do trabalho. O estresse é apontado como causa de quase metade das doenças.

Essa situação é observada dentro dos sindicatos e vem piorando. “A gente tem diversos casos de pessoas que preferem pedir demissão a continuar trabalhando. O que a gente está vendo agora é uma coisa que nunca vimos: o nível de adoecimento está muito grande. E a Caixa tira função do trabalhador doente, se estiver doente por mais de 180 dias, ele é descomissionado. Um absurdo”, declara Dionísio.

Plano de Demissão Voluntária

Em meio a esse cenário já desalentador, a Caixa dá início à demissão de 3500 funcionários por meio de um Plano de Demissão Voluntária (PDV). E pior: sem previsão de reposição de funcionários, já que a instituição está proibida de realizar novos concursos até que resolva a situação dos aprovados no certame de 2014. Isso, evidentemente, traz impacto negativo no atendimento prestado ao público e enfraquece a Caixa, além de sobrecarregar ainda mais seus empregados.


Para Fabiana Proscholdt, dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília, e da CONTRAF, isso dificulta a ascensão profissional, as possibilidades de ascender dentro da instituição e desmotiva os funcionários. “A mobilidade dentro da empresa fica mais restrita. Criam-se dificuldades ou mesmo restrição para o empregado participar do Processo de Seleção Interna (PSI), pois não existe liberação para sair de onde está, já que ninguém, em teoria, será posto no lugar“, explica.

O outro lado

Sobre o PDV, este é o posicionamento da instituição: “A CAIXA esclarece que o programa de desligamento de empregados é uma importante ferramenta para que o banco alcance eficiência com redução de custos na execução dos processos. Informamos ainda que o programa é acompanhado de outras ações, como por exemplo a otimização tecnológica e automatização de serviços, de forma a não gerar impactos à continuidade da realização dos negócios da empresa pelos empregados.”