Em 2018, uma questão do Enem deixou o futuro governo e a sociedade conservadora em polvorosa por tratar do Pajubá (também conhecido como Bajubá), a linguagem usada por transexuais, travestis e comunidade LGBT em geral. O texto da prova trazia a frase “Nhaí, amapô! Não faça a loka e pague meu acué, deixe de equê se não eu puxo teu picumã!” – algo como “E aí, mulher! Não se faça de desentendida, pague meu dinheiro, deixe de truque, senão eu puxo seu cabelo”.


O Pajubá tem origem no nagô e no iorubá, falados em países da África Ocidental, que chegaram ao Brasil por meio dos escravos africanos. São reproduzidos nas práticas de religiões afro-brasileiras, principalmente o Candomblé, que têm por tradição serem espaços de acolhimentos de minorias, como a comunidade gay, que passou a usar os termos africanos e incorporar novas expressões no dialeto. Em 2006, a editora Bispo lançou o Aurélia, o dicionário Bajubá, de autoria do jornalista Vitor Angelo.


Não faz a loka, veja aqui as expressões do pajubá pra arrasar na buatchy:


Bafos – Termo referente a algo ou alguém que causou alguma coisa. Ex.: aquela noite foi bafo, bi!”
Bofes – Homem heterossexual ou homossexual ativo.
Jogar o picumã – Virar a cabeça, mudando o cabelo de lado, tal como as loiras fazem, com a intenção de menosprezar ou ignorar alguém.
Jurando – Acreditar no hype; se sentindo. Expressão usada unicamente no gerúndio.
Picumã (do bajubá) – Peruca, cabeleira, cabelo.
Irene – velho
Gongar – falar mal
Dar a Elza – roubar
Equê – mentira
Aquendar – chamar para prestar a atenção; fazer alguma função
Desaquenda – vai para lá, desaparece
Ocó – homem
Amapô – mulher
Aqué – dinheiro
Otim – bebida
Ajeum – comida
Arrasou! – Expressão de admiração em relação a um ato bem-sucedido. Às vezes pode ser usado em tom irônico.
Climão – Saia-justa, clima pesado ou tenso entre duas ou mais pessoas.
Nhaííí? – Expressão de cumprimento. O mesmo que “Olá, como vai?” ou “E aí, tudo bem?”