Pedro Guimarẽs, presidente da Caixa, falou nesta segunda, 24, sobre os lucros obtidos pela Caixa no primeiro trimestre do ano. Porém, o presidente falou ainda mais sobre o projeto de desmonte do Banco Público mais importante do Brasil: abertura de capital de áreas estratégicas e pagamento de Instrumento Híbrido de Capital e Dívida, a tal “despedalada”, foram os temas foram o verdadeiro anúncio.

Imagem de Pedro Guimarães fazendo sinal de pequeno com mão na Caixa no primeiro trismestre
Vender a Caixa aos pedacinhos…
Foto: Divulgação

A abertura de capitais de quatro áreas estratégicas e lucrativas da Caixa foi anunciada por Pedro Guimarães. “A gente vai abrir o capital de quatro empresas: Caixa Asset, Caixa Cartões, Caixa Loteria e Caixa Seguridade“, afirmou Guimarães. Essas são as bolas da vez no desmonte de um dos maiores Bancos Públicos do País.

As áreas estratégicas, que o presidente chama “empresas” são na verdade parte da Caixa, um banco com diversos setores, complexo e que consegue atender não só a sociedade, mas também o país. Essa política é oposta ao que os maiores bancos do mundo têm adotado para a sua própria governança.

A questão da “despedalada” – ou o pagamento do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida –  está intrinsecamente ligado ao esquartejamento do banco. Com o capital recebido nas IPO, ou seja, com a abertura de capitais na bolsa de valores, a Caixa poderá pagar ao governo, que por sua vez pagará a dívida. Ou seja, a política econômica brasileira está completamente voltada ao sistema financeiro e não às demandas da economia real, que muda a vida das pessoas, exatamente o contrário da função dos Bancos Públicos.  

A coletiva do balanço da Caixa no primeiro trimestre não é só uma prévia, é um início do fim de sua importância.

Caixa no primeiro trimestre polemiza com gestões passadas


Não passou batida a fala de Pedro Guimarães sobre a falta de preocupação com paridade entre mulheres e homens, com a contratação de pessoas com deficiência e com a falta de crédito consignado nas gestões passadas.

A Caixa no primeiro trismestre, na atual gestão, só anunciou a contratação de pessoas com deficiência após ação vitoriosa movida no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) em conjunto com a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (FENAE). Ainda assim contrariando o edital do concurso de 2014, que previa a contratação de uma pessoa com deficiência a cada 5% dos aprovados.

A ex-presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, em entrevista ao Reconta Aí, afirma o contrário. Ela foi a primeira mulher a presidir a Caixa e afirma que durante sua gestão houve uma grande preocupação com a paridade de gêneros. Além disso, ela relembra que houve trabalho efetivo para realizá-la, como a sua nomeação ao cargo.

Acompanhe a entrevista completa com Maria Ferrnanda :