Neste mês, a Petrobras anunciou que a Caixa Econômica Federal irá vender todas suas ações ordinárias (aquelas que dão direito a voto em assembleia) da empresa estatal – um total de 241,3 milhões de ações, equivalentes a 1,85% do capital da companhia.
Essa venda é condizente com a linha de ação do atual presidente da Caixa, Pedro Guimarães, um agente do mercado, que também vem conduzindo a pauta privatista do governo Bolsonaro. Guimarães já vendeu ações do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), anunciou a venda de ações no Banco PAN e na corretora de Seguro Wiz e a privatização de quatro subsidiárias da Caixa – Caixa Asset, Caixa Cartões, Caixa Loteria e Caixa Seguridade.


Além das intenções claras de desidratar o Banco, o que implica diretamente na valorização do seu corpo de funcionários e, consequentemente, no atendimento ao público, bem como no papel social da Caixa enquanto Banco Público, a venda das ações na Petrobras significa uma grande perda na questão da defesa da soberania nacional. De total de ações a serem vendidas, apenas 24% serão destinadas a pessoas físicas. E desses 24%, apenas 2% podem ficar nas mãos dos funcionários da Caixa ou da Petrobras. O resto vai para grandes empresas e investidores, inclusive de fora do Brasil.


É o que explica Sérgio Mendonça, economista e ex-diretor técnico do Dieese:
“É uma operação em que a Caixa se desfaz de um ativo que tem todas as possibilidades de ser um bom ativo a curto, médio e longo prazo, e a Petrobras perde um parceiro importante, que é a Caixa, um Banco Público, como detentora de parte das ações da estatal que, portanto, passa a ter essas ações pulverizadas no Mercado, enfraquecendo o patrimônio público”.

Em entrevista para a Revista Fórum, Jair Ferreira, da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), mostrou extrema preocupação com as vendas dos ativos da Caixa. “De uma forma muito sutil eles falam, por exemplo, que vão só vender algumas ações que a Caixa tem da Petrobras. Assim está se tirando todo o patrimônio que ajuda a alavancar a economia, isso enfraquece a empresa em sua capacidade. Quando se vende as loterias, quando vende parte dos seguros, estão tirando um benefício ou um potencial que há na empresa. Estão esquartejando. Sem essa força a Caixa não consegue atender a população, que é esse o objetivo. A Caixa é da população”, apontou.