325 anos de experiência, tecnologia de ponta, funcionários capacitados, altíssima capacidade de produção. Mesmo assim, Bolsonaro parece querer a privatização da Casa da Moeda.

A Casa da Moeda do Brasil nasceu para garantir a soberania nacional. Sua criação veio atender a demanda de uma economia em expansão durante o ciclo da mineração brasileira, no final do século XVII. Atualmente, o órgão tem  capacidade de produzir 3,5 bilhões de cédulas e 4 bilhões de moedas por ano, fora a emissão de selos postais, selos holográficos, passaportes e outros produtos para o Brasil e para o mundo.

Porém o presidente Jair Bolsonaro parece desconhecer a grandiosidade da instituição e atua, mais uma vez, para o seu desmonte por meio da precarização dos seus serviços. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Casa da Moeda, ou Sindicato dos Moedeiros, como é conhecio, Aluizio Júnior, comentou a possibilidade de privatização da instituição e deu um panorama da ascensão e sucateamento progressivo da instituição.

Prevendo o futuro

Na década de 1970 a Casa da Moeda, cuja sede é no Rio de Janeiro, passou a utilizar toda a sua capacidade de produção e garantiu a autonomia de produção de moedas e cédulas. Para dar suporte à esta demanda, foi transferida para o bairro de Santa Cruz e passou por uma grande modernização. Passado este período de desenvolvimento, a empresa só recebeu outro grande aporte de investimentos em 2008, quando foram realizados concursos públicos e o maquinário da instituição foi modernizado. Desta maneira, o órgão conseguiu garantir ao Brasil a dianteira na produção de produtos de extrema qualidade, competidores das melhores e mais seguras moedas do mundo.

Até o final de 2016, a sua receita foi superavitária. Porém, o cenário mudou quando o governo retirou a atribuição da produção de selos digitais, implementada junto à Receita Federal, em todas as fábricas de bebida do país. Esta mudança impactou em cerca de R$ 1 bi no orçamento anual da empresa pública.

A Privatização da Casa da Moeda

O corte de R$ 1 bi no orçamento anual não foi a única mudança que desestabilizou a Casa da Moeda nos últimos anos. Houve ainda a terceirização da impressão de selos fiscais holográficos para bebidas e cigarros, o que propiciou a ociosidade de uma imensa capacidade produtiva, que poderia atender toda a demanda de meios de circulação da América do Sul – uma subutilização de uma ferramenta geopolítica.

Por fim, está em risco o monopólio de produção das notas e moedas utilizadas no Brasil. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Casa da Moeda, o desmonte da empresa serve para justificar para a sociedade a privatização. Aluizio completa: “Por natureza, nenhum dos grandes países tem sua Casa da Moeda privada. No mundo, 88% do dinheiro que circula é produzido por 15 Casas da Moeda estatais. A iniciativa privada produz 15% somente”, afirma.

O cenário é desolador, mas a estratégia é conhecida: corte de investimentos proporciona incapacidade de pleno funcionamento, o que serve de argumento para uma posterior privatização. Basta saber se esta privatização beneficia o povo ou se garantirá apenas, mais uma vez, a manutenção dos lucros dos seus investidores.