Enquanto no Brasil o governo gasta milhões de reais transformando apresentadores de programas populares em ‘embaixadores da Reforma da Previdência’, o Chile lida com o drama da capitalização da previdência e informalidade

Rua 25 de março em São Paulo em que diversos trabalhadores informais  dividem espaço com transeuntes. Capitalização da Previdência e informalidade.
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Já não são só as taxas de suicídios de idosos, quase miseráveis, que preocupam a sociedade e o governo chileno no presente. Agora o governo terá que equacionar também os problemas futuros: cerca de 33,5% dos trabalhadores e trabalhadoras do Chile estão no mercado informal de trabalho, sem contribuir para as próprias contas individuais de poupança, ou sua previdência pessoal.

São 2,4 milhões de trabalhadores que não têm depositado nas contas individuais da capitalização. Isso gera uma sombria expectativa para o futuro: um grande percentual da população não terá nenhum rendimento durante a velhice.  

Capitalização da Previdência e informalidade no Brasil

No Brasil, o buraco pode ser ainda mais fundo: com um mercado de trabalho em que há 45% de trabalhadores informais, é possível vislumbrar mais da metade da população passando fome no futuro.

A aposentadoria dos brasileiros dinamiza, e às vezes sustenta, economias de cidades inteiras, sobretudo as menores, além de famílias. Na atual conjuntura recessiva, o “dinheirinho” dos avós sustenta netos e filhos, muitos fazendo parte do contingente de 13 milhões desempregados.

Com menos dinheiro circulando, há menos comércio, menos produção, menos empregos. Fórmula batida, porém real. Tirando da Previdência Social brasileira o caráter solidário de repartição, poderemos ver os jovens de hoje e os do futuro, completamente desalentados e uma economia cada vez mais informal, sem perspectiva de melhoria de padrão de renda, de consumo e de igualdade social.