A guerra comercial entre EUA e China fez o governo chinês avisar à população que tempos difíceis virão, resta ao mundo esperar as consequências dessa crise.

Broche da Bandeira dos EUA dentro de um saquinho escrito Made in China

Daniel Lobo

Iniciada em Março de 2018, quando o presidente americano Donald Trump anunciou a intenção de taxar os produtos chineses importados, a guerra comercial entre China e EUA vêm preocupando os mercados em todo o mundo e desestabilizando economias.

Grande parte dos industrializados que abastecem o mundo todo vêm de ambos os países. O PIB da China cresce em média 10% ao ano há 30 anos, e o país possui um imenso mercado consumidor com um poder de compra de mais de US$22,641.047 trilhões.

Isso transformou a China na segunda maior potência econômica do mundo, mesmo sem chegar perto dos Estados Unidos, que mesmo com um crescimento mais lento, possui atualmente um PIB 70% maior.

China, EUA e o 5G

O último embate entre EUA e China deu-se na arena tecnológica. Entre acusações de espionagem de cidadãos, subornos e a expectativa da chinesa Huawei tornar-se a líder no segmento de 5G, tecnologia de ponta da área, o presidente Trump assinou uma ordem que permite ao governo americano impedir empresas do país de negociar com as chinesas.

“No plano do discurso, os EUA estão utilizando uma série de possíveis questões não completamente comprovadas, como a violação de propriedade intelectual, espionagem entre outras. Porém, o que acontece efetivamente é uma guerra comercial por um setor altamente estratégico para qualquer país, a infraestrutura tecnológica. Os EUA vêem a necessidade de manter esse segmento sob o domínio de empresas americanas”, afirma Jonas Valente, pesquisador em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB).

Segundo Valente, há questões de mercado e da corrida tecnológica implicadas nessa guerra. “A disputa entre EUA e China pelo 5G, rede dinâmica, flexível e inteligente que substituirá o 4G, é uma disputa que envolve hardware. A Huawei é uma grande produtora desses insumos e os EUA estão perdendo essa corrida apesar de possuírem o monopólio nos softwares”. Para o pesquisador, a entrega dessa estrutura crítica para o principal adversário comercial envolve uma questão de soberania nacional, sobre a qual os Estados Unidos escolheram responder com um ataque à uma empresa ao invés de legislações que protegessem o setor no país.


China, EUA e danos colaterais

O panorama da economia mundial vêem sofrendo desaceleração por causa das idas e vindas das duas maiores economias do mundo. Analistas apostam na possibilidade de ganhos de curto prazo para alguns países, dentre eles o Brasil. Entretanto é preciso reconhecer que o mundo inteiro é dependente do comércio e das tecnologias de China e EUA, o que coloca até mesmo países desenvolvidos em alerta. Isso acarretará em consequências mundiais: resta saber quais serão elas.