Recentemente a imprensa especializada noticiou os dados do relatório “Bancos dos Brics serão testados caso as condições globais se tornem mais instáveis em 2019”, daagência de classificação de riscos Standard & Poor’s

Segundo a agência, o risco dos bancos brasileiros é alto, em primeiro lugar pelo “risco político” e, em segundo pelo preço das commodities. As reformas econômicas, sobretudo a Reforma da Previdência e a instabilidade do país têm causado uma expectativa de baixo crescimento e até de diminuição do PIB.


O Brasil deixará de ser o paraíso dos bancos? 

Sabemos que os bancos lucram muito no Brasil mesmo em tempos de crise . Porém, o alerta dado pelo relatório faz sentido.

Caso os resultados financeiros do Brasil ao longo de 2019 sigam decepcionando o mercado, a trajetória da dívida pública poderia ser explosiva, incluindo riscos de calote no futuro. Como os bancos possuem valores muito grandes de títulos da dívida pública nas suas carteiras (ativos), poderiam sofrer grandes perdas.

Os verbos no futuro do pretérito são intencionais: os bancos não estão sob risco iminente, mas poderão estar no futuro.  Esse cenário não considera um conjunto de variáveis importantes, tais como elevação de impostos, redução da taxa Selic abaixo do crescimento do PIB nominal, etc.


Qual o cenário atual dos bancos no Brasil?

A economia brasileira praticamente não cresce há 5 anos. Qualquer economia muito frágil como a nossa, em princípio, é um problema para os bancos. As empresas (Pessoas Jurídicas) poderão ter dificuldades para honrar suas dívidas, assim como as pessoas físicas.

Por isso, o risco de crédito dos bancos aumenta, assim como o risco de fuga de capitais e desvalorização cambial. Contudo, como a dívida pública em dólar é pequena, esse risco não é tão dramático. Apesar da dívida das empresas em dólar ser maior, estão relativamente protegidas por meio dos seguros – hedge.



O que os Bancos Públicos têm a ver com isso?

Segundo a analista da S&P Cynthia Freue, os Bancos Públicos distorcem o mercado, uma velha história liberal. Como o volume de crédito dos Bancos Públicos representa aproximadamente 50% do mercado de crédito, eles distorceriam as taxas livres, pois emprestam com várias linhas de crédito de taxas de juros menores, habitação e agricultura, por exemplo.

Esse ataque dos bancos privados sobre os Bancos Públicos, busca forçar o governo a reduzir a atuação dos Bancos Públicos, o que já vem ocorrendo desde 2016, abrindo assim mercado para os bancos privados com taxas de juros livres maiores.


E a conclusão?

O que possivelmente pode ser grave para os bancos privados é um desastre para a economia brasileira, que segue sem perspectiva de crescimento.