Foi realizado na última quarta, 8, o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, que levou bancários, sindicalistas, petroleiros, economistas, deputados e senadores ao Auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados.

Sob ataque do novo governo, o relançamento da Frente – requerido pela Deputada Federal Erika Kokay (PT/DF) e presidida pelo deputado Zé Carlos (PT/MA) – é uma trincheira institucional contra privatizações e constantes investidas às estatais brasileiras, sobretudo aos Bancos Públicos. R

Relevância da Frente

A relevância do tema para a economia nacional é tamanha, que mesmo em um dia com três ministros sendo sabatinados em comissões na Casa, cerca de 20 parlamentares marcaram presença no evento e reafirmaram seu compromisso com a pauta. Usaram a tribuna para falar desde a necessidade de financiamento para produtores rurais até o papel fundamental nas instituições públicas para a superação da crise de 2008/09.

Em sua fala durante a abertura, Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae, ressaltou a importância de instituições como a Caixa e o Banco do Brasil. “Os Bancos Públicos são ao mesmo tempo uma grande ferramenta de transformação social e uma construção coletiva do povo brasileiro dos últimos séculos”, declarou o presidente. Fato que opõe, como mencionado por Rita Serrano, do Comitê em Defesa dos Bancos Públicos, um banco realmente público a um banco privado que apenas vise o lucro em detrimento de seu papel social.

Seminário Bancos Públicos e Desenvolvimento

O seminário realizado após a manifestação das entidades presentes foi apresentado pelo economista e ex-secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, e contou com o acúmulo de outros dois especialistas em Bancos Públicos: Luiz Fernando de Paula, professor do Instituto de Economia da UFRJ e Paulo Cavalcanti, professor da UFPB.

Luiz Fernando Paula apresentou um cenário amplo do papel dos Bancos Públicos no desenvolvimento. Debateu as características do mercado financeiro brasileiro em oposição aos de outros países e conceituou as diferentes atuações de bancos privados e públicos na economia de mercado e, consequentemente, no desenvolvimento do Brasil. Já o professor Paulo Cavalcanti analisou o padrão de financiamento da economia nordestina, utilizando para tanto uma perspectiva histórica do desenvolvimento da região, exaltando o papel das políticas econômicas federais para o Nordeste.

Na opinião de ambos, a privatização dos Bancos Públicos colocaria o país em uma situação de inferioridade internacional, deixando sua economia à deriva, sem uma proteção que pudesse socorrer o setor produtivo nacional e à sociedade em todos os níveis. “A construção de instituições é difícil, mas sua destruição não”, concluiu o professor Luiz Fernando.