Nem carteira de trabalho, nem negócio próprio: quatro milhões de brasileiros são “funcionários” de aplicativos de celular. Esse número faz com que os aplicativos de serviços mais famosos como 99, Rappi, Uber e iFood sejam em conjunto os maiores empregadores do Brasil.
Reflexo da estagnação da economia, do fechamento de postos de trabalho e da precarização das relações trabalhistas, muitas pessoas têm optado por trabalhar por meio das plataformas, mesmo sem direitos, segurança jurídica ou renda mínima.

Segundo matéria de Douglas Gravas, para o jornal O Estado de São Paulo, “Se eles [os funcionários] fossem reunidos em uma mesma folha de pagamento, ela seria 35 vezes mais longa do que a dos Correios, maior empresa estatal em número de funcionários, com 109 mil servidores.”.

O motorista de aplicativo Edvandro explica que o gasto pessoal para trabalhar é o maior problema. “Todos os custos relativos ao carro são por nossa conta: manutenção, combustível, limpeza, seguro. Ficamos em uma situação tão difícil com esses gastos que é impossível não trabalhar por pelo menos 12h para pagar os custos e obter lucro”, ele ainda completa dizendo que há colegas que chegam a trabalhar por 14h e até 16h atendendo 2 ou até 3 aplicativos diferentes.

Existe uma tendência mundial de aumento do número de aplicativos e de pessoas que, de forma autônoma, garantirão sua renda por meio deles. Porém, os debates e regulamentações que protegem o trabalhador de jornadas extenuantes e que garantam uma renda mínima não acompanham a inovação tecnológica.

É necessário que o debate seja feito e talvez de forma mundial. Órgãos internacionais como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) já têm diretrizes que regulamentam o chamado trabalho online, basta agora a vontade política para enfrentar grandes multinacionais e assegurar dignidade aos trabalhadores.