Respeitando a proporcionalidade de porte, ramo e distribuição geográfica, a pesquisa realizada pelo BTG Pactual em abril e apresentada no dia 6 de maio, mostra otimismo com o novo governo e incoerências entre o que os empresários esperam do governo e as ações deste para o setor.

O Raio-X dos empresários brasileiros mostrou desconhecimento sobre as políticas econômicas que não são “vitrines” para o novo governo. Fato é apontado principalmente pelo grande apoio às privatizações ao mesmo tempo que existe uma grande expectativa pela disponibilização de crédito via bancos públicos para grandes, médias e pequenas empresas.

Para cerca de 70% dos entrevistados, o governo em seu primeiro trimestre é igual ou melhor do que o esperado. Quanto às expectativas para as empresas – e existe uma grande expectativa de melhora da situação – enquanto atualmente menos de 45% acham que a situação de sua empresa está boa ou ótima, para o futuro quase 80% projetam expectativas boas ou ótimas.

Para isso contam com um ponto que é o grande nó da pesquisa: as políticas de incentivo governamental. Os entrevistados responderam a três questões: financiamentos pelo BNDES, empréstimos via Bancos Públicos e desonerações tributárias. Cerca de 53% esperam por aumentos nas concessões de financiamento via BNDES, 52% apoiam o aumento dos empréstimos via Bancos Públicos e 45% querem mais desonerações tributárias.

Destrinchando os números, foi possível avaliar que dentre o segmento que mais apoia políticas de incentivo governamental é o das grandes empresas, 53%, sobretudo no aspecto de desonerações tributárias. Já as pequenas e médias empresas dirigem suas esperanças à empréstimos concedidos por Bancos Públicos, 56% e 51%, respectivamente.

Quanto à abertura comercial, os respondentes são quase unânimes: 97% apoiam a abertura comercial. Um resultado surpreendente se levarmos em conta as recentes mobilizações de setores interessados em manter políticas econômicas protecionistas contra mercados internacionais, como foi o caso dos produtores de leite em fevereiro desse ano.

Regulamentação via autonomia de agências reguladoras e privatizações também foram pesquisadas e obtiveram grandes percentuais de apoio na pesquisa, que fechou seu escopo fazendo um grande questionário sobre a Reforma da Previdência.

Na contramão do mercado, que traz previsões mais pessimistas a cada mês sobre o aumento do PIB brasileiro, os empresários parecem dispostos e esperançosos com as políticas econômicas do novo governo. Mesmo com o resultado positivo da pesquisa, não foi observado um aumento do número de empregos e produção no período, o que mostra que mesmo com boas expectativas, os empresários brasileiros ainda seguram com rédeas curtas os seus investimentos.