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1º de Maio: "Chega de governo de morte"

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Imagem do site Recontaai.com.br

Em uma situação inédita, as centrais sindicais brasileiras celebram nesta sexta-feira (1º) o Dia do Trabalhador através de uma transmissão online, composta de falas de dirigentes e intervenções artísticas, principalmente musicais. O ato por meios digitais teve, em sua maioria, manifestações contra o governo de Jair Bolsonaro.

“A classe trabalhadora inventa e reinventa sua própria história. Nós vamos defender nossas pautas históricas: o SUS, o emprego e a renda. Temos de ser solidários aos mais vulneráveis neste momento, os trabalhadores sem emprego”, iniciou Carmen Foro, secretária-geral da CUT.

Carmen também destacou um tema que se repetiria em outras participações, a questão de gênero: “Infelizmente, aumentou a violência contra as mulheres durante a pandemia”.

“Nós também entendemos que esse governo chegou ao fim. Chega de governo de morte”, finalizou ela. Silvia Helena de Alencar Felismino, secretária-geral da Febrafisco , reforçou a situação levantada por Carmen Foro: “Precisamos estar juntos, unidos. Precisamos salientar o papel da mulher na política brasileira”.

“Vivemos um momento difícil da saúde brasileira, precisamos reagir diante dessa solapada de direito do trabalhador e salientar a importância do papel da mulher na politica. Precisamos mostrar nossa força ao Brasil”, afirmou.

Sônia Zerino, diretora nacional de Assuntos da Mulher da NCST, destacou que a situação de “dupla ou tripla jornada” das mulheres se agrava ainda mais no contexto da pandemia: “Estamos mais vulneráveis. Vamos continuar lutando contra a retirada de direitos, contra esse desgoverno contra a democracia. Somos sinônimos de resistência”.

Gilmar Mauro, da direção nacional do MST, pediu que cientistas não só combatam a Covid-19, mas também as “amebas do governo” e ressaltou que o contexto da pandemia comprovou o papel fundamental e o potencial da classe trabalhadora.

“Quem produz as riquezas, da empadinha ao avião, são os trabalhadores. Se somos nós que tudo produzimos, nós podemos interromper esse ciclo. Conclamamos que cada camponês e cada camponesa plantem, para suas famílias e para alimentar toda a classe trabalhadora”, defendeu.

Internacional

Secretária-geral da Confederação Sindical Internacional, Sharan Burrow enviou uma mensagem aos trabalhadores e às trabalhadoras brasileiras, dizendo que, atualmente, a própria “existência da espécie humana” está em jogo.

“Nós sabemos que o modelo econômico falido nos levou a uma convergência de crises. O líder brasileiro, Bolsonaro, está com uma postura negacionista. Nós sabemos que ele não tem condições de ocupar o cargo que ocupa. Então hoje eu digo para vocês que nós precisamos fortalecer o papel dos sindicatos”, apontou.

Carlos Silva, Secretário Geral da União Geral de Trabalhadores de Portugal, também mandou sua manifestação: “São tempos difíceis de pandemia e estamos quase todos em casa. Quero enviar em nome dos trabalhadores portugueses um grande abraço aos brasileiros. Viva a unidade sindical entre a UGT e a Força Sindical do Brasil”.

Ex-presidente

Antes do início formal da transmissão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma mensagem para o Dia do Trabalhador. Fernando Henrique Cardoso deve participar da transmissão no período da tarde.

“Grandes tragédias costumam ser parteiras de grandes transformações. Espero que o mundo que virá depois do coronavírus seja uma comunidade universal em que o homem e a mulher, em harmonia com a natureza, sejam o centro de tudo e que a economia e a tecnologia estejam a serviço deles e não contrário, como aconteceu até hoje. O coletivo haverá de triunfar sobre o individual a solidariedade e a generosidade triunfarão sobre o lucro”, afirmou o petista.

Arte e Ciência

Também em mensagem gravada, Miguel Nicolelis saudou todos trabalhadores brasileiros através de suas centrais sindicais. “Gostaria de agradecer como cientista aos esforços de todos trabalhadores para sair dessa crise. Sei que nesse Primeiro de Maio os trabalhadores vão se reunir para comemorar, mas também pensar num novo futuro para sair dessa crise de pandemia e para que se possa ter um grau maior de solidariedade, trabalho digno e saúde”.

Musicistas que participam do ato digital, além das apresentações, também deixaram mensagens políticas para o público. Antes de cantar “Deixa a Vergonha de Lado”, Odair José, por exemplo, citou que a canção dizia respeito à situação opressiva vividas por empregadas domésticas, questão, que na opinião do cantor só seria “resolvida, em termos de direitos, o governo Dilma Rousseff.

A sambista Leci Brandão lembrou o caráter inusitado do 1º de Maio este ano: “Completamente diferente de tudo. Mas uma coisa é certa: a força dos trabalhadores é fundamental. As coisas só não estão piores porque os trabalhadores, principalmente os da saúde, estão na linha de frente. Não há economia sem vida”.