Segundo Pesquisa Perfil do Consumidor Inadimplente, da Boa Vista, saltou de 56% para 73%, na comparação entre o 1º semestre de 2018 com o 1º semestre de 2019, o percentual de consumidores inadimplentes que estão com mais de 50% da renda comprometida com o pagamento de dívidas (vencidas ou não).

O estudo tem abrangência nacional e foi feito nos seis primeiros meses de 2019. A Boa Vista é uma empresa de informação de crédito que reúne dados comerciais e cadastrais de mais de 130 milhões de empresas e consumidores.

Desemprego, queda da renda, subutilização e endividamento elevado

Para os economistas da empresa, esse aumento reflete a dificuldade que o brasileiro tem encontrado de pagar as suas contas, muito por causa de fatores como o endividamento elevado, a queda da renda, as altas taxas de desemprego e subutilização da mão de obra.

O estudo ainda mostra que cresceu de 37% para 43% a parcela dos inadimplentes que se diz muito endividada. 83% diz estar com dificuldades para pagar as contas. 33% dos consumidores citam o desemprego como principal motivo para a inadimplência, seguido de diminuição de renda.

A pesquisa ainda identificou que, do total de devedores, 36% dos que pretendem pagar irão quitar todo o valor. Os outros 64% irão pagar após a tentativa de renegociação ou obtenção de desconto no valor devido.

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Desemprego dobrou desde 2014

De 2014 para 2018, dobrou o número de brasileiros desempregados, de 6 para 13 milhões. Muitos deles, sem alternativa, apelam para o trabalho informal. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), no 1º trimestre de 2019, o percentual de pessoas desocupadas e subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas foi de 25%, um total de 28,3 milhões de pessoas, recorde da série. Já os desalentados (que desistiram de procurar trabalho e por isso saíram das estatísticas de emprego) somam 4,6 milhões de pessoas.

Ainda de acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no Brasil se manteve estável no trimestre encerrado em maio deste ano, mas a subutilização bateu novo recorde. A população ocupada cresceu 1,2% no trimestre de março a maio, na comparação com o trimestre até fevereiro. Porém, mais da metade (582 mil) estava trabalhando menos do que gostaria, e quem está conseguindo emprego acaba recebendo um salário menor, completando o ciclo de inadimplência.