Nesta semana o Reconta Aí bateu um papo com Maria Fernanda Coelho, a primeira mulher a presidir a Caixa Econômica Federal, de 2006 a 2011. Na entrevista, falamos sobre o papel social da Caixa, de políticas públicas como o Minha Casa Minha Vida, da ameaça de privatização e da necessidade de valorizar os funcionários da instituição.


Educação irá perder R$ 730 milhões se Caixa privatizar Loterias

Maria Fernanda mostra preocupação com as medidas de desidratação do Banco anunciadas pelo presidente Pedro Guimarães na última semana, principalmente no que diz respeito às Loterias. Muita gente não sabe, mas em 2018 foram destinados R$ 6,5 bilhões em repasses das Loterias para a Educação, a Cultura, a Seguridade Social e a Segurança. Só para a educação foram destinados R$ 730 milhões, já que os prêmios não resgatados depois de 90 dias também vão para o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). Ou seja, a venda dessas subsidiárias trará impacto negativo para todo mundo. Veja a seguir:

Despedalada?

Maria Fernanda também desmente um dos mitos criados pelo atual governo e repetido pelo presidente da Caixa: essa dívida de R$ 40 bilhões que Pedro Guimarães implora para pagar para a União não existe.

A Operação de Instrumento Híbrido de Capital e Crédito -IHCD (que teria gerado essa crise) foi feita justamente para que a Caixa tivesse oportunidade de investir mais em políticas públicas para benefício da população, reforçando o papel social do banco.

“Ela não tem cláusula de vencimento, portanto não pode ser cobrada pelo governo, tampouco o gestor da Caixa deveria se antecipar pra devolver, se ela tem prazos e cláusulas e condições que estão sendo cumpridas rigorosamente pela instituição desde o seu início”, explica Maria Fernanda.

Ela diz que por trás do que chama de “jogo de palavras” existe um plano de enfraquecer a Caixa. “Na realidade, há um jogo, eu não tenho dúvida, no sentido enfraquecer a Caixa, de tirar sua condição efetiva de prover o cidadão de crédito da pessoa física, de crédito da pessoa jurídica, de recursos para saneamento e infraestrutura. Nada justifica uma decisão como essa. Pedalada ao contrário, o governo está cobrando uma dívida que não existe”, diz.


Psiu, Paulo Guedes, a Caixa sempre foi um banco social!

No dia 12 de junho, ao lado do presidente Guimarães, o ministro da Economia Paulo Guedes declarou que a Caixa finalmente passará a ser um banco social. Mas como assim? A Caixa sempre teve a função de encabeçar políticas públicas. E esse papel foi fortalecido a partir de 2003, inclusive, sob o comando de Maria Fernanda Coelho, a Caixa conduziu políticas que mudaram os rumos do Brasil, como o Minha Casa Minha Vida.

Para ela, a declaração de Paulo Guedes “é uma ignorância absoluta de alguém que jamais conheceu a Caixa Econômica. Nós fomos responsáveis por um dos maiores programas da história do Brasil, que é o MCMV, que veio atender o grande sonho da família brasileira, que é a casa própria, mas além disso todas as políticas públicas, toda a capacidade da caixa de prover de crédito. Isso é um desrespeito aos clientes da Caixa, hoje quase 100 milhões, e principalmente um desrespeito aos empregados da instituição”, declarou.

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Valorização dos funcionários

Por fim, Maria Fernanda fala da desvalorização do corpo de funcionários da Caixa que vem sendo conduzida pelas últimas administrações, desde 2016.

“Talvez essa seja a fase mais perversa do golpe de 2016 e hoje perpetrado por essa equipe econômica, que é um processo de desvalorização não só dos empregados da Caixa, mas de todo o serviço público. Então isso realmente é você matar uma empresa por dentro. Você mata uma empresa de duas maneiras: por ataques externos e por dentro. Estão minando a autoconfiança, a capacidade que o funcionário tem, inclusive, de defender a própria instituição”. Veja: